quarta-feira, 30 de novembro de 2011

"24 horas de Química"


O Ano Internacional da Química é comemorado em 2011, no mesmo ano em que se comemoram os 100 anos da concessão do prémio Nobel a Marie Curie (1867-1934). O Ano Internacional da Química é organizado internacionalmente pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC).

Celebrar as contribuições da Química para o bem-estar da humanidade é um objectivo central do Ano Internacional da Química.

Os alunos de licenciaturas em química, sob a orientação de professores do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, elaboraram cartazes que ilustram várias aplicações de química no nosso dia-a-dia. Esta exposição, intitulada “24 horas de Química”, é agora trazida para a nossa escola pelo núcleo de estágio de Física e Química.
Não deixem de visitar esta interessante e pedagógica exposição, no átrio da escola, entre 28 de Novembro e 6 de Dezembro de 2011!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Leonardo Da Vinci, Pintor na Corte de Milão

"Leonardo da Vinci: Pintor na Corte de Milão" , na National Gallery de Londres, já é considerada a exposição do século XXI.  A mostra foca-se no período de 18 anos, entre as décadas de 1480 e 1490, que o pintor passou ao serviço de Ludovico Maria Sforza, Duque de Milão, e onde criou algumas das suas obras mais famosas.

Quadros tão famosos como "Dama com Arminho", "Virgem dos Rochedos", cujas duas versões vão estar juntas pela primeira vez na história (uma já estava na National Gallery, a outra encontra-se no Museu do Louvre, em Paris), ou "Salvator Mundi", que apenas recentemente foi identificado como sendo da autoria de Leonardo da Vinci, vão estar patentes na exposição. Uma reprodução em tamanho real do mural da "Última Ceia" também vai ser exibida.

Para além dos quadros, foram reunidos mais de 50 desenhos de Leonardo da Vinci, 30 dos quais cedidos pela Rainha Isabel II e cuja maioria nunca foi vista pelo público.

"O que temos aqui é uma viagem extraordinária, que acompanha Leonardo desde que este era um pintor que acreditava que a sua responsabilidade era recriar a natureza de forma tão fiel quanto possível, até um artista que acreditava que as suas capacidades eram comparáveis às de Deus", afirma Luke Syson, curador da exposição.

A exposição termina a 5 de Fevereiro de 2012.




domingo, 20 de novembro de 2011

My Choice

A exposição “My Choice” – obras da coleção British Council selecionadas por Paula Rego – encontra-se patente ao público na Casa das Caldeiras, em Coimbra, de 20 de novembro de 2011 a 19 de fevereiro de 2012.

Depois da passagem pela Casa das Histórias (Cascais) e pela Fundação EDP (Porto), as obras viajam para Coimbra acompanhadas de um recheado programa de atividades. Durante todo o período da exposição, vão decorrer várias atividades orientadas para diferentes públicos-alvo, nomeadamente oficinas criativas e visitas ateliê, destinadas a alunos de vários ciclos de ensino básico e secundário.
De destacar ainda as tertúlias “A escolha da escolha”, em que várias personalidades de diferentes áreas de saber são convidadas a escolher e a debater com o público uma obra de entre as selecionadas por Paula Rego.
A exposição estará patente ao público todos os dias da semana com um horário das 09H30 às 13H00 e das 14H00 às 18H00, de segunda a sexta, abrindo só da parte da tarde ao fim de semana.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Novo Acordo Ortográfico - mas antes, as despedidas...

As professoras de Português Antonieta Mendonça e Florbela Moura desafiaram os seus alunos a despedirem-se da antiga ortografia e ... vale a pena ver o resultado!

Exposição José Saramago - vídeo (12ºJ)



Vídeo realizado pelo aluno Rodolfo Roldão, do 12ºJ.

Reconto de "A maior flor do mundo"

A Maior Flor do Mundo
recontada por Sofia Dias

Ouço o som do carro a ligar-se e apresso-me a descer as escadas brancas cal que se direcionam para a garagem onde o papá e a mamã me esperam. O papá está dentro do carro e a mamã está agachada à espera de um beijo meu. Dou-lhe então um beijinho ternurento e corro até ao carro parado à minha espera na entrada. Abro a porta da frente e o papá olha-me com aquela cara que desaprovadora. A mesma história de sempre! Mas eu já tenho um metro e quarenta e seis. Estou quase na altura indicada para se viajar à frente… mas entretanto o papá deixa-se descontrair e dá-me uma cara sorridente, aprovando onde estou, mas quase como que dizendo:
- Só desta vez Raul!… Só desta vez!
Fecho a porta, o carro arranca e ligo o rádio. Este está a dar uma música rock que o papá parece entusiasmado em ouvir. Porém eu não quero saber daquelas músicas. O lugar para onde vou é deveras melhor. Só me quero concentrar nisso, e no que lá vou fazer. Na minha missão! Descobrir uma árvore para embelezar o meu jardim.
O papá abana-me trazendo-me à realidade e avisa-me que chegámos. Abro a porta, saltando para a erva verde. Olho em meu redor.
O verde preenche uma pequena parte do quadro. Existem por volta de 14 montes, mas o primeiro monte é o maior de todos e no cume tem uma flor. Achei que esta ficaria melhor sozinha, mais bonita, mais exposta. Debaixo da flor encontra-se um escaravelho, é pequenino e preto. Remexo no meu bolso e de lá tiro uma pequena caixa, onde coloco o bichinho, que a partir de agora se vai chamar Roberto. Digo ao papá, então, para avançar e ele escava o pequeno buraco para retirar a árvore. Depois de tudo isto inspiro ar fresco da brisa, sorrio e corro monte abaixo, ansioso por mostrar o Roberto à mama.
Mal chego a casa, tento mostrar-lho, mas ela vai falar com o papá.
Reparo que não há movimento na caixa. E se ele morreu? Levanto um bocadinho da tampa e quando dou por mim, o Roberto já tinha fugido. Não deve ter gostado da casa que lhe arranjei. Berro então :
- EU ARRANJO UMA NOVA! EU ARRANJO UMA NOVA!
Mas ele continua a voar e passa o muro.
Como o papá e a mamã estão distraídos, puxo o banco laranja, mas este é muito baixo então puxo o escadote que se encontrava à minha esquerda. Puxo-o, subo e salto o muro.
O terreno onde parotem muitas placas a dizer: PERIGO! Mas como o Roberto está a fugir, continuo a correr. Percorrido o caminho todo, paro num sítio que desconheço. Uma ribeira com água extremamente límpida e sossegada. Passo para o outro lado e vou ter a um beco que parece não ter saída. É verdejante, coberto com arbustos e árvores e flores. Roberto continua a fugir, provavelmente, não gostou! Volto a correr atrás dele. Vou dar ao monte onde ainda pouco eu e o papá tínhamos estado.
Mas isto está diferente. Está triste. Seco. E a flor, que ainda há pouco estava alegre, está agora murcha, caída.
Olho à volta vejo o Roberto na sua azáfama.
Por mais que o queira de volta, aquela flor à minha frente merece viver feliz. Volto, então atrás, àquela ribeira por onde eu tinha passado, e com as minhas pequenas mãos levo água. Caminho uma, outra e outra e outra vez para deixar a água escorrer pelos os meus dedos e cair sobre a flor.
Aos poucos, esta ergue-se, mais forte, mais imponente, mais feliz, mais bonita, maior. E eu, cansado, mas feliz, deixo o meu corpo embater no chão e desligar-se, ainda sinto uma pétala suave a aconchegar-me com carinho, protegendo-me da aragem.
- RAUL! RAUL, FILHO!
Os meus pais chamam-me, aliviados e, ao mesmo tempo, espantados com a beleza da gigante flor.
Olho-a com ternura e despeço-me do meu amigo Roberto.
Chego a casa, olho, então, para o horizonte, embelezado agora por aquela flor gigante no meio do cenário artificial, criado pelo egoísmo e ambição dos homens. Aceno com a cabeça em sinal de reconhecimento.
Esta é agora a vista mais apreciada de sempre


É a maior flor do mundo.

Sofia Dias, 9ºA

 

Reconto de "A maior flor do mundo"

A Maior Flor do Mundo
recontada por Mariana Araújo

Era uma flor... (e um rapaz, e um pai, e uma mãe) e uma viagem… Daquelas viagens que nos embalam e nos acordam para tudo ao mesmo tempo… (Daquelas viagens em que tudo o que vemos é o que queremos sentir e o que queremos viver… As mesmas viagens em que como que entramos numa cápsula fora da qual tudo é o nosso imaginário) Em tal viagem, tal cápsula esquecia o imaginário e mirava a terra… Na verdade, da terra tudo se colhe, tudo o que colhemos, tudo o que conhecemos, terá vindo da terra (e das estrelas…) Nesse dia, a terra oferecia uma árvore (mãe de toda a Natureza e da organização do Mundo) que pareceu persistente e resistente… Sendo esta, então, guardada na dita cápsula (para que o impossível não lhe roubasse a cor), um rapaz, como fomos, com sede de aventura e conhecimento, tal como outrora nos conhecemos, seguiu a Natureza, perseguindo os seus caminhos… Nesta jornada, o rapaz, ligado à Natureza com um laço tão fraterno como o nosso, encontrou na paisagem uma flor que, em jeito de abandono, desistia da nutrição da terra e deixava-se esmorecer… Ora, se um adulto fosse que a mirasse, esquecia-a rapidamente, porque esta não inspirava qualquer futuro e não lembrava seu tempo de vida… Assim, muito tempo levaria para saber de suas memórias e sua sede e os adultos não têm esse tempo: como sentem que o perdem a cada momento, não lutam por aquilo que não é imediato… Sendo criança, então, a nossa personagem principal soube do suco que trataria a flor, suas mãos em concha e seu coração em chamas, cada onça de água era a promessa de dedicação e carinho… E assim a flor cresceu… O Sol já não parecia abrasá-la mas esta alcançava-o … E o menino correu…correu tanto que o Sol que o alimentava acabou por se pôr, e assim se pôs o menino, deitado no solo (que tudo pode oferecer) em sono profundo… A flor que tinha protegido era agora a sua proteção, oferecendo cada pétala para seu resguardo, e olhava sobre ele… E o carinho foi tanto e a esperança tanta foi que flor tão grande nunca o Mundo vira … A flor maior do mundo! foi a que renasceu, como vindo da terra seca que esquecera seu dom…
                       E cresceram, e cresceram…
                                   E o sol se pôs, se levantou…
                                                E o mundo rodou e acabou…
                           E a flor permaneceu quando tudo se extinguiu…
                                            E viveu para sempre

Mariana Araújo, 9º A

Reconto de "A maior flor do mundo"


Na turma do 9º C, cada grupo apresentou o seu reconto de "A maior flor do mundo" com acompanhamento musical. Foi uma aula diferente, em que todos se empenharam e que resultou em momentos muito agradáveis e melodiosos. Parabéns!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Exposição comemorativa do nascimento de José Saramago







Conhecer Saramago

Que melhor maneira de homenagear um escritor do que conhecer a sua obra?
Neste sentido, nas aulas de Português, os alunos do 9.º Ano e a turma J do 12.º Ano (Curso Profissional) desenvolveram um conjunto de atividades que culminaram com a colaboração na exposição organizada pela BE.
Os alunos do 9.º Ano, entre outros trabalhos, apresentaram pequenos contos baseados na animação "A Maior Flor do Mundo".
A turma do 12.º Ano contribuiu com vídeos sobre o homenageado.
Alguns alunos do 10ºD, de Artes, fizeram uma bonita e grande flor que acolheu os recontos de "A maior flor do mundo".
Parabéns a alunos e professoras pelo trabalho desenvolvido!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Récita "Orfeu e Eurídice"



No dia 18 de novembro, às 21h 30min, vai ter lugar, no Grande Auditório da Escola Artística do Conservatório de Música de Coimbra, a Récita da Ópera "Orfeu e Eurídice", de C. W. Gluck. A entrada é gratuita.
Convidamos todos a aparecerem. Contamos com a vossa presença!

 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Halloween - Entrega de prémios


Pétalas literárias

Teste Diagnóstico de Filosofia

Adolescência

Hoje em dia, os adolescentes agem como se estivessem a meio da III Guerra Mundial: em cada esquina um inimigo, alguém que nasceu para lhes arruinar a vida! Um exagero claro, admito-o, mesmo enquanto adolescente.
Como adolescente, não me sinto incompreendido pois muitas vezes nem sequer me mostro disponível para ser compreendido. Quando algo mínimo corre mal, em todos os adolescentes há uma dramatização clara, uma depressão descabida.
Muitas vezes (por experiência própria e por acompanhamento de situações exteriores) a questão da “depressão” deve-se à necessidade de marcar personalidade, de se sentir protegido, de ver que existe preocupação. No entanto, há sempre repulsa por certas pessoas que se mostram disponíveis pois, em muitos casos, só é aceite a ajuda e disponibilidade de um grupo restrito e concreto de pessoas. Deste modo, frases de vitimização como “Ninguém quer saber de mim” demonstram a falta de maturidade por parte de alguns jovens.
Enquanto “quase adultos”, os adolescentes de hoje em dia mostram-se bem distantes da realidade da vida. “A adolescência é a viagem feita entre a doce inocência de infância e a REAL RESPONSABILIDADE DE ADULTO.” Realidade e responsabilidade são duas coisas que não encaixam na maneira de ver e de pensar dos jovens ou adolescentes actuais. Todos caem uma vez, mas o que se vê é que os “nossos” jovens caem demasiadas vezes e recusam-se a crescer, a aprender, a aceitar que as coisas não são como querem! Não aceitam que a infância já passou, renunciam ao peso da responsabilidade!
A meu ver, o que se assiste na maneira de ver e agir dos jovens é um medo (até pânico) do futuro adulto e uma âncora no passado infantil! Ninguém quer ver que, da adolescência para a frente, a vida só pode exigir mais deles. É uma recusa em crescer! Uma estupidez escancarada porque, pessoalmente, a responsabilidade é simplesmente um motivo de orgulho.
E é de todas estas maneiras de ver que nasce a “geração deprimida”, uma geração que chora pelos cantos e se consome porque as coisas não são conforme o desejo de cada um!!
A adolescência não é fácil mas é algo progressivo: a cada erro, uma lição; a cada lição, um pouco mais de maturidade; a cada pedaço de maturidade, um passo em direcção ao adulto firme e real que um dia todos os adolescentes serão! E é isso que todos nós, adolescentes temos que aceitar.
Assim, vejo a atitude dos adolescentes como algo incompreensível e não incompreendido. Existe uma necessidade de instaurar a realidade na cabeça de uma geração que se recusa a vivê-la. Por outras palavras, algo praticamente impossível de alcançar.

Gabriel Guimarães, 10º Ano, Turma B

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dia Mundial da Poupança



No âmbito do Plano Anual de Actividades da Escola, os alunos do 10ª E, do Curso de Ciências Socioeconómicas, na disciplina de Economia, quiseram lembrar o dia 31 de outubro dedicado à efeméride Dia Mundial da Poupança, através da construção de um painel de informação, que se encontra no átrio da Escola, junto à Biblioteca. Sob o lema “guarda o que não precisas, encontrarás o que te fará falta” os alunos reuniram um conjunto de dicas que poderão ajudar cada um a governar melhor a sua vida.

A professora Conceição Marques

 

Concurso "Quem é a figura?"

Hoje entregámos o prémio a mais uma vencedora do Concurso "Quem é a figura?" . Desta vez a aluna vencedora é a Francisca Amado, do 5º A, que acertou no nome da escritora Matilde Rosa Araújo, respondendo corretamente às questões propostas  no boletim do concurso.
Parabéns à Francisca! Boas leituras!

Pétalas literárias

Hoje vamos iniciar uma nova secção no nosso blogue, com a publicação de textos criativos, em poesia ou em prosa, dos nossos alunos.
Demos-lhe o título de Pétalas Literárias por se tratarem de textos escritos ao longo do ano por jovens principiantes na arte da escrita, que um dia poderão, quem sabe, florescer como escritores. A qualidade dos textos leva a esta necessidade da sua partilha para que outros possam fruir da sua mensagem ou tomá-los como fonte de inspiração.

Para começar, dois poemas da aluna Maria Barros, por ela declamados no Sarau "De mãos dadas no combate à pobreza e exclusão social", que decorreu na nossa escola no dia 20 de Outubro, e um texto do aluno Eduardo Nunes, ambos do 10º F.

História Triste

Posta de parte, fui posta de parte
Empurraram-me para fora
Do embarque
Mandaram-me embora
E eu estou aqui para contar-te.


Fui excluída
Empurraram-me para fora
Da corrida
E só me resta agora
Caminhar descalça para a saída.


Mas não me deixam sair!
Cospem-me para o meio
E fazem-me cair
Sou aquela que não tem para onde ir, para onde fugir
E que também ninguém sabe de onde veio


Sou um pedaço de lixo
Que ninguém apanha para deitar no contentor
Mas que todos pisam e repisam
Ignorando ou rindo da minha dor


E estou a contar-te isto neste momento
Porque no teu dia a dia não estás atento
A mim e a tantas outras crianças em sofrimento
Mas eu peço-te que a partir de hoje seja diferente
Que deixes de ignorar o meu olhar carente
E, num gesto consciente,
Me estendas a tua mão
Por favor, não custa nada
Para eu te responder com o coração:
                                                      Meu amor, muito obrigada.



Menina da Rua

Face pálida, branca e gelada
Olhos fechados em meia-lua
Choras a dormir o que não choras acordada
Sozinha, abandonada, perdida nesta rua


Até o vento estremece
Ao ver-te assim, desprotegida
E num murmúrio triste sopra a prece
De que alguém te dê amor, felicidade, vida


Pergunto-me como passa tanta gente
Apressada e sem parar, à tua frente
Não haverá uma réstia de piedade
                                                 Nos seus corações?
Parece que têm medo da verdade
E de ver que há uma menina da tua idade
Que merece as suas orações.


Mas nesta gélida noite de luar
Em que mais uma vez choras a dormir
Ouço o teu pequeno coração a palpitar
E não consigo resistir:


Abraço-te, protejo-te debaixo da minha asa
O teu corpo, a tua alma, aquecem comigo
Vou levar-te para minha casa
E fazer com que este poema tenha sentido.


Maria Teixeira de Barros, 10º F

O RIO

     As águas transparentes do rio, cintilantes até – quando o Sol lhes incidia a pique -, iniciavam o seu percurso na nascente. Situava-se numa superfície plana, no cume de uma alta montanha, pelo que de início fluía calmamente, por vezes demais, como se de um fardo estivesse a ser alvo: o de aprender a existir. Depara-se, pouco tempo depois, quando já tinha a noção de que um percurso desconhecido a esperava, com uma encosta e, por ser essa a única hipótese de continuar trajeto e porque parada não podia ficar, desce-a. Era uma longa encosta, mas talvez da sua extensão não tivesse noção porque tudo lhe pareceu passar muito rapidamente. Conheceu novos locais durante esse vertiginoso percurso, brincou com as pedras que as crianças, à sua beira, lhe atiravam, juntou-se a novas águas que, sem dar conta disso, a acompanhariam até ao fim do percurso. Retomou uma velocidade mais moderada quando a descida da colina terminou, acabando assim a etapa do seu trilho de que tantas vezes no futuro se recordaria, invadida por um forte sentimento nostálgico.
     Por durante muito tempo decorreu aquele novo estádio da sua vida. Foi antes um período de descobrir novos horizontes: da serra, passou por aldeias, seguiu até cidades e houve tempos também em que, em momentos dedicados à meditação e ao descanso essenciais ao prosseguimento do trajeto, se afastou por momentos dos amigos que se lhe haviam juntado anteriormente para se lhes reunir mais à frente. Houve prazeres e desgostos, por onde quer que passasse, inevitavelmente.
     Foi mais tarde que, finalmente, decidiu acalmar e assentar. Adotou uma velocidade mais lenta; encontrara a felicidade e queria desfrutar desse seu novo achado. Porém, a transparência que por tanto tempo durou, escasseava agora. O turvo, o opaco, a impureza e também o sujo mostravam-se mais aparentes. Vinham ao cimo da água as grandes questões existenciais, perguntou-se quando chegaria ao fim, que ainda não se vislumbrava, e o que nele existiria: se um vasto leque de novas oportunidades, um novo início ou uma derradeira paragem; esses mesmos pensamentos fizeram com que mais rapidamente corresse, em busca de respostas, e com que a sua felicidade fosse minguando. Pelo caminho, durante essa sua fase, a água daquele rio viu o seu leito aumentar, distraindo-a das questões com que se deparara anteriormente, permanecendo assim durante tanto tempo, que entristeceu quando o que a alegrara se afastou de si, seguindo diferentes caminhos, quando decidiram procurar outras águas a que se juntar.
     Chegou um tempo em que a água não se viu com capacidades para continuar à mesma velocidade. Foi curiosamente no tempo em que avistava já o início do fim; tão rapidamente percorreu para descobrir como ele era e, agora que já o vislumbrava, desapareceu-lhe a curiosidade de como seria terminar o percurso. Essa curiosidade foi substituída pelo medo e pela saudade da colina que, há tanto tempo, percorrera. Porém, e como tudo tem uma maneira de se compensar, avistou uma nova colina. Chegou até ela e começou a descê-la. Não era, no entanto, como a colina que descera noutros tempos. Era mais vertiginosa, navegou por ela muito mais rapidamente, e, olhando para trás, tudo parecia distante e ela sentia-se abandonada. Apercebeu-se de que era uma colina que, rapidamente, a conduzia até ao fim. Porém, tão rapidamente que não pôde sequer ver como o fim era.
      Atrás de si, novas águas vinham e continuam vir. Os seus percursos? Semelhantes.
     Todas as águas e todos os rios terminavam o seu longo percurso na foz, nenhum voltando à nascente para anunciar o que espera todos no tão intrigante final.

Eduardo Manuel Diogo Nunes, 10º F, nº 8