quarta-feira, 29 de maio de 2013

Centenário de "A Sagração da Primavera"

"A Sagração da Primavera", cujo centenário se celebra hoje, foi composta por Igor Stravinsky para a companhia dos Ballets Russes e, na sua estreia original, foi apresentada com coreografia de Nijinsky. Nesse dia,  29 de maio de 1913a elite parisiense reuniu-se no recém-inaugurado teatro des Champs-Elysées para ver mais um espetáculo dos Ballets Russes de Serghei Diaghilev, sem saber que a noite entraria para a história da música e da dança. 
"A Sagração da Primavera" tem as suas raízes no folclore eslavo e na rica tradição musical russa e enquanto a partitura extraía novos sons de instrumentos familiares e tomava liberdades com o ritmo, os dançarinos quebravam todas as regras do ballet tradicional e, em vez das graciosas pontas, por exemplo, os pés eram virados para dentro. 
plateia, que esperava ver um espetáculo de ballet tradicional, ficou chocada e vaiou e arremessou objetos aos músicos e bailarinos.
Entretanto, nestes cem anos, "A Sagração da Primavera" tornou-se uma obra de culto para os maiores maestros e coreógrafos.

Exposição de Desenho do 11º D





A última unidade dos conteúdos programáticos da disciplimna de Desenho A, do 11º ano, permitia uma visão pessoal de obras de arte conhecidas, em que os alunos utilizassem uma das técnicas que aprenderam ao longo do ano. A resposta a este desafio colocado pela professora da disciplina, Ana Vinhas, à turma D, pode ser apreciada na exposição que se encontra na zona de leitura informal da BE.
Parabéns a todos pela criatividade!

terça-feira, 28 de maio de 2013

Feira do Livro de Coimbra 2013

Lembramos que continua a decorrer até ao próximo domingo, dia 2 de junho, no Parque Verde do Mondego, a Feira do Livro de Coimbra.

Mia Couto ganha Prémio Camões


Mia Couto é o vencedor da 25.ª edição do Prémio Camões, que distingue um autor da literatura portuguesa.
O Prémio Camões foi criado em 1988 por Portugal e pelo Brasil para distinguir um autor de língua portuguesa que, "pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum".
Mia Couto nasceu na Cidade da Beira (Moçambique), em 1955, filho de uma família de emigrantes portugueses. Em 1972, deixou a Beira e partiu para Lourenço Marques para estudar Medicina. A partir de 1974, começou a fazer jornalismo, tal como o pai. Com a independência de Moçambique, tornou-se diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM). Dirigiu também a revista semanal "Tempo" e o jornal "Notícias de Maputo". Em 1985 formou-se em Biologia. 

Estreou-se com um livro de poemas "Raiz de Orvalho" (1983), há exatamente 30 anos. Após o primeiro livro seguiram-se outros de poesia, contos, crónicas. No romance estreou-se com "Terra Sonâmbula", na viragem da década de 1980 para a seguinte, obra que foi considerada um dos melhores livros africanos do século XX, Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos.


Seguiram-se "A Varanda do Frangipani", "Mar Me Quer", concebido para o pavilhão de Moçambique na EXPO`98, "Vinte e Zinco", "O Último Voo do Flamingo", "Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra" (adaptado ao cinema por José Carlos Oliveira), "Venenos de Deus, Remédios do Diabo", "Jesusalém", "A Confissão da Leoa".
Para os mais novos escreveu também "O beijo da palavrinha", publicado com ilustrações de Malangatana, "O Gato e o Escuro", "A Chuva Pasmada", "O Outro Pé de Sereia".

Mia Couto foi distinguido já com o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos, o Prémio Vergílio Ferreira, da Universidade de Évora, pelo conjunto da sua obra, o Prémio União Latina 2007, de Literaturas Românicas, o Prémio Passo Fundo Zaffari e Bourbon de Literatura, do Brasil, e o Prémio Eduardo Lourenço, entre outros. É membro da Academia Brasileira de Letras.
Em 2011, quando lhe foi entregue o Prémio Eduardo Lourenço, o pensador português, disse esperar que Mia Couto «seja um dos autores de origem portuguesa tão universal como a sua própria obra, que já é hoje».

A maior parte dos seus livros podem ser encontrados nas prateleiras da nossa biblioteca. Requisitem-nos, leiam-nos e maravilhem-se com este fantástico e original inventor de palavras!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Fitness Solidário - organização do 12ºE (Grupo 3)
















No dia 25 de maio de 2013, no Jardim da Praça dos Heróis do Ultramar, das 10h às 17h, os alunos do Grupo 3 que é constituído por André Justo, Daniela Ricardo, Marta Simões e Ricardo Encarnação, do 12º E, do Curso Tecnológico de Desporto, contando com a colaboração do Holmes Place e da Ana&Guga freelancers, irão realizar uma atividade com várias aulas de fitness e dança, com o intuito de ajudar a Associação Integrar e o Lar de jovens do convento de Semide. 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Feira Desportiva - organização do 12ºE (Grupo 4)




No âmbito da disciplina Projeto Tecnológico (P. T.), o Grupo 4 do 12ºE, constituído pelos alunos Carlos Caldeira, João Neves, Nicole Martins e Rafaela Martins, do Curso Tecnológico de Desporto, irá realizar a primeira Feira Desportiva na cidade de Coimbra. Esta "Feira Desportiva" - " Abraça o desporto e participa no evento" irá realizar-se no dia 26 de maio de 2013, no Parque Verde do Mondego. Apareçam!



Correspondência escolar além fronteiras

Durante as férias de Natal de 2012, os alunos do 6º Ano da nossa escola leram o conto "Por avião", de Ravi Mangla, que refere uma situação de correspondência escolar entre um menino da Índia e outro dos EUA.
Neste contexto, a professora de Português, Graça Trindade, lançou um desafio: "E se fizéssemos um projeto de correspondência escolar com os amiguinhos de Florianópolis?" (Os alunos tinham conhecido os colegas brasileiros através do Projeto Red E-culturas, de que já demos notícia anteriormente).
"Mãos à obra"!- foi a resposta imediata de todos.

Do outro lado do Atlântico, a professora Mariley aceitou logo a ideia e, enquanto os meninos do Brasil estavam de férias grandes, os de cá, de Portugal, escreviam já as cartas.

Quando os meninos de Florianópolis iniciaram o novo ano letivo, a 14 de fevereiro, tinham uma grande surpresa à sua espera - as cartas dos alunos portugueses!
A notícia saiu nos jornais locais de Florianóplolis. Entretanto, os alunos brasileiros responderam e as suas cartas chegaram à nossa escola em meados de abril. A receção gerou grande euforia nos nossos alunos e rapidamente as respostas começaram a atravessar o Atlântico!


 
 
 

"De pequenino se torce o pepino" - organização do 12ºE (Grupo 1)

No âmbito da disciplina de Projeto Tecnológico (P. T.), o Grupo 1 do 12º E, constituído pelos alunos Beatriz Girão, João Pinto, Ricardo Gama e Vítor Almeida, do Curso Tecnológico de Desporto, está a organizar várias atividades desportivas, a realizar no próximo dia 31 de maio, junto das crianças do Jardim de Infância Quinta das Flores, antecipando assim a comemoração do Dia Mundial da Criança.

domingo, 19 de maio de 2013

As bibliotecas - Valter Hugo Mãe


«As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros.

Todas as coisas do mundo podem ser chamadas a comparecer à força das palavras, para existirem diante de nós como matéria da imaginação. As bibliotecas são do tamanho do infinito e sabem toda a maravilha.

Os livros são família direta dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se entrassem para dentro do próprio ar, a ver o que existe dentro do ar que não se vê.
O leitor entra com o livro para dentro do ar que não se vê.

Com um pequeno sopro, o leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas.

Os livros são toupeiras, são minhocas, eles são troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos e coram, choram, imaginam que mais tarde voltam ao início, a serem como crianças. Os livros têm crianças ao dependuro e giram como carrosséis para as ouvir rir. Os livros têm olhos para todos os lados e bisbilhotam o cima e baixo, o esquerda e direita de cada coisa ou coisa nenhuma. Nem pestanejam de tanta curiosidade. Querem ver e contar. Os livros é que contam.

As bibliotecas só aparentemente são casas sossegadas. O sossego das bibliotecas é a ingenuidade dos incautos. Porque elas são como festas ou batalhas contínuas e soam trombetas a cada instante e há sempre quem discuta com fervor o futuro, quem exija o futuro e seja destemido, merecedor da nossa confiança e da nossa fé.

Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra. Até que alguém se encoraje, esfaime, amadureça, reclame direito de seguir maior viagem. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes. Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem refilarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se a surpreender. Os livros divertem-se.

As pessoas que se tornam leitoras ficam logo mais espertas, até andam três centímetros mais altas, que é efeito de um orgulho saudável de estarem a fazer a coisa certa. Ler livros é uma coisa muito certa. As pessoas percebem isso imediatamente. E os livros não têm vertigens. Eles gostam de pessoas baixas e gostam de pessoas que ficam mais altas.

Depois da leitura de muitos livros pode ficar-se com uma inteligência admirável e a cabeça acende como se tivesse uma lâmpada dentro. É muito engraçado. Às vezes, os leitores são tão obstinados com a leitura que nem acendem a luz. Ficam com o livro perto do nariz a correr as linhas muito lentamente para serem capazes de ler. Os leitores mesmo inteligentes aprendem a ler tudo. Leem claramente o humor dos outros, a ansiedade, conseguem ler as tempestades e o silêncio, mesmo que seja um silêncio muito baixinho.

Os melhores leitores, um dia, até aprendem a escrever. Aprendem a escrever livros. São como pessoas com palavras por fruto, como as árvores que dão maçãs ou laranjas. Dão palavras que fazem sentido e contam coisas às outras pessoas. Já vi gente a sair de dentro dos livros. Gente atarefada até com mudar o mundo. Saem das palavras e vestem-se à pressa com roupas diversas e vão porta fora a explicar descobertas importantes. Muita gente que vive dentro dos livros tem assuntos importantes para tratar. Precisamos de estar sempre atentos. Às vezes, compete-nos dar despacho. Sim, compete-nos pôr mãos ao trabalho. Mas sem medo. O trabalho que temos pela escola dos livros é normalmente um modo de ficarmos felizes.

Este texto é um abraço especial à biblioteca da escola Frei João, de Vila do Conde, e à biblioteca do Centro Escolar de Barqueiros, concelho de Barcelos. As pessoas que ali leem livros saberão porquê. Não deixa também de ser um abraço a todas as demais bibliotecas e bibliotecários, na esperança de que nada nos convença de que a ignorância ou o fim da fantasia e do sonho são o melhor para nós e para os nossos. Ler é esperar por melhor.»
Valter Hugo Mãe in Jornal de Letras, 15 a 28 de maio

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A importância da leitura

No seguimento das sessões realizadas na nossa escola com o Projeto "Mundo Brilhante", de que demos conta neste blogue, o Dr. Alfredo Leite brindou-nos com um pequeno vídeo que é um apelo à leitura e à necessidade de motivar os alunos para a importância dos livros na sua formação. Esta motivação passa não só pela escola, como pela família, apresentando o Dr. Alfredo Leite algumas sugestões aos pais.
Deixamos aqui o seu testemunho, desejando que as suas palavras possam encontrar eco em todos os intervenientes neste processo, no sentido de que os jovens adquiram cada vez mais hábitos e gosto pela leitura.
 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Encontro com Élia Ramalho




Hoje tivemos a visita de Élia Ramalho e Cláudia Esteves, escritora e ilustradoras dos livros Frida Kahlo e Vincent Van Gogh, da coleção "Artistas com História". Na sessão participaram as turmas do 5º e 6º anos e esta decorreu num ambiente de grande envolvimento e participação por parte dos alunos.
Na apresentação do livro sobre a pintora Frida Kahlo, a escritora mostrou, como motivação, um vídeo com música e dança, interpretando assim a vida e obra da pintora.
Em relação ao livro sobre Van Gogh, a motivação foi feita com a apresentação e comentário de algumas imagens do livro reproduzindo alguns dos seus quadros mais famosos.
Agradecemos às autoras este momento enriquecedor para os nossos alunos e desejamos-lhes muitos sucessos futuros.

Exposição "Metamorfose"


Encontram-se expostos, no hall de entrada, os trabalhos realizados pelo 10º D, exposição com o título genérico de "Metamorfose".

Na verdade, foi pedido aos alunos que escolhessem uma obra pictórica consagrada e a transformassem de forma que o reconhecimento da obra nunca fosse perdido.

Estes trabalhos, em pastel de óleo,  foram realizados na disciplina de Desenho e orientados pela professora Carla Jorge.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Concurso de Caligrafia - entrega de prémios


Hoje foram entregues os certificados de participação e os prémios às alunas participantes e às vencedoras do Concurso de Caligrafia realizado no passado dia 24 de abril. Nem todas puderam comparecer, mas aqui ficam os nomes das vencedoras:
6º ano - Joana Maria Barroca Dias - 6º A
8º ano - Carolina dos Santos Ribeiro - 8º B
9º ano - Ana Catarina Carvalho Pastilha - 9º A

Muitos parabéns! Continuem a participar nas atividades da BE!


Dia da Europa - exposição sobre a União Europeia do 12ºF


Assinalando o Dia da Europa, que se comemora hoje, dia 9 de maio, a Zona de Leitura Informal da nossa biblioteca expõe os trabalhos sobre a União Europeia realizados pelos alunos do 12ºF, na disiplina de Oficina de Artes, sob a orientação da professora Ana Vinhas.
Estes trabalhos constituiram uma oportunidade de os alunos se informarem e refletirem, com imaginação e espírito crítico, sobre a União Europeia de hoje e estiveram expostos no TAGV aquando do "II Ciclo de Conferências de Estudos Europeus", organizado pela Universidade de Coimbra, através das Faculdades de Letras, Direito e Economia, conforme noticiámos anteriormente.
Aquando deste evento no TAGV, a professora Ana Vinhas foi convidada a expor também os trabalhos dos seus alunos na Faculdade de Direito, nos dias da realização do Ciclo de Estudos sobre a União Europeia, 27 e 28 de abril passado. Os trabalhos foram muito apreciados e elogiaados, tendo inclusivamente alguns congressistas ingleses e japoneses pedido permissão para publicarem as fotografias dos trabalhos nos seus países de origem.
Dessa exposição deixamos também registo fotográfico.

Capuchinho Vermelho... - Manuel António Pina



Na passada segunda feira, dia 6 de maio, as turmas A e B do 5º Ano tiveram uma experiência didática um pouco diferente do habitual. A aula de Português foi orientada por Ana Maria Machado, Professora de Literatura da Faculdade de Letras, que explorou, com as alunas e alunos deste nível de ensino, o conto "História do Capuchinho Vermelho contada às crianças e nem por isso", de Manuel António Pina, ilustrada por Paula Rêgo. A Professora Ana Maria Machado completou o trabalho nas aulas seguintes, no horário normal de cada uma das turmas. A Professora de Português, Clara Moura Lourenço, agradece a disponibilidade e colaboração da Professora Ana Maria Machado, e salienta o enriquecimento que esta experiência constituiu para as suas turmas.
 
 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Projeto 15/25 da Revista LER

Alguns alunos da nossa escola aceitaram o desafio da Revista LER, no seu Projeto 15/25, apresentado na nossa escola em outubro de 2012, e enviaram os seus trabalhos, cuja qualidade mereceu publicação.
Assim, a aluna Maria Barros, do 11º F, viu o seu texto "AMANTES DE RUA" publicado na Revista nº 122, de março de 2013 e a aluna Ana Baía, do 12º A, viu premiado o seu desenho "PESSOA HETERÓNIMO E ORTÓNIMO" na edição nº 123, de abril de 2013.
No entanto, o primeiro aluno a participar e ver o seu texto publicado, mesmo antes de a Revista vir à nossa escola, foi o João Pedro Martins, do 11º F, com o texto "O HOMEM", na revista nº 114, de junho de 2012.
Não queremos deixar de partilhar estes belíssimos trabalhos e dar os parabéns aos nossos jovens autores, que são um exemplo a seguir. Continuem! Votos de sucessos futuros!

AMANTES DE RUA

E eram tantos, tão grandes... envoltos em mantos, eram amantes. Dois a dois, ocupavam os seus lugares na rua cinzenta e começavam aquela dança lenta. Os grandes corpos entrelaçados debaixo dos mantos, como poemas cantados por sonhadores e outros tantos, movimentos harmoniosos, suaves, como o forte e pleno voo das aves, gestos determinados e prolongados em todas as direções, enquanto se ouvia a simultânea batida dos corações. E o cheiro era intenso e definido, como incenso de vidro, madeira velha, resina, caldo de açúcar a escorrer da terrina... a rua cinzenta agora era agitada, já não estava isenta, já não era nada. Tinha sido tocada, abraçada, molhada, vibrada, dançada. Por isso os amantes guardaram os mantos e deixaram a rua, partiram para outra nua e crua e fizeram-na sua. E assim há de ser sempre. 

Maria Teixeira de Barros


PESSOA HETERÓNIMO E ORTÓNIMO



  Ana Baía
O HOMEM
     Era o fim de uma tarde de abril, sem primavera nenhuma. Os carros do hipermercado, coloridos de ovos pascais, passavam, apressados, empurrando-se uns aos outros.
     - Quanto custa?
     - Um euro e trinta e sete...
     A expressão de desespero de um homem que nada tem para se alimentar afastou todos os meus pensamentos megalómanos sobre qual seria o modelo de telemóvel que iria comprar, sobre o que jogar na Playstation 3. E o Homem lá levou a cabeça de salmão.
     A partir desse momento segui o senhor que deambulava pelas arcas frigoríficas do hipermercado. Parou. Ficou a olhar com um misto de desejo e impotência para um cartaz enorme que abrangia toda a secção de congelados. Lia-se "Promoções de 50 por cento no polvo": apenas quatro euros. Para o Comum é um preço perfeitamente aceitável mas, para ele, representava um luxo inconcebível. Perdido, com a miséria estampada no rosto, percorreu três vezes o talho, observando minuciosamente todos os produtos. Perdido. Intimidado, com a cabeça de salmão na mão esquerda, passou para a secção dos enchidos. Era o Homem de que Sophia falava, aquele que passava despercebido pela população. Um misto de sentimentos percorria-o, mais uma vez. De ombros caídos, levava, na mão, o alimento da família. Contudo, sabia que era insuficiente.
     Dirigia-se para a caixa de pagamento com ar pensativo. Afinal de contas, o escasso orçamento tem de esticar. O desespero acompanhava-o nos tímidos e assustados passos, leves. Olhava para os demais, e via carros de compras atulhados de bens desnecessários, como o meu.
     Aquele que outrora pensava que estudar era um dado adquirido, aquele que pagava as quotas da Biblioteca Municipal e ficava de sorriso na cara por ser tão pouco, estava ali, a olhar, tolhido pela miséria alheia. O Homem desapareceu. Com a cabeça de salmão. Perdido no jogo de cores e de sons daquela superfície, continua ao nosso lado. Todos os dias. Despercebido.
     Afinal, o Homem não espelha só a miséria alheia. Reflete a miséria de uma sociedade, supérflua, que vê, impotente, insensível, egoísta, o Homem passar.
João Pedro Martins