domingo, 31 de janeiro de 2010

Centenário da República

A abertura oficial das comemorações do Centenário da República decorre no Porto neste fim-de-semana, dias 30 e 31 de Janeiro. O programa dirige-se a todas as faixas etárias e inclui concertos, teatro, exposições e outras iniciativas que irão percorrer toda a cidade.

No dia 31 de Janeiro de 1891 a cidade do Porto assistiu a um levantamento militar contra as cedências do Governo ao ultimato britânico de 1890 por causa do Mapa Cor-de-Rosa, que pretendia ligar, por terra, Angola a Moçambique. A revolta, liderada por capitão Amaral Leitão, alferes Rodolfo Malheiro, tenente Coelho e por outras figuras intelectuais da época (Alves da Veiga, Basílio Teles, João Chagas, Paz dos Reis, Sampaio Bruno e Verdial Cardoso), foi a primeira tentativa de implantação do regime republicano em Portugal. Os revoltosos foram parados por um poderoso ataque da Guarda Municipal que matou indistintamente militares revoltosos e simpatizantes civis.
Em memória desta revolta, logo que a República foi implantada em Portugal, a então designada Rua de Santo António foi rebaptizada para Rua de 31 de Janeiro.

Sites a consultar
http://www.centenariorepublica.pt/
http://www.centenariorepublica.pt/escolas

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sugestão de leitura

Uma Noite Não São Dias, de Mário Zambujal

Para o autor, Uma noite não são dias é um livro que se pretende «risonho e brincalhão», mas que também pode ser visto com «alguma seriedade».
Mário Zambujal exemplifica com o aumento da esperança de vida, tema aflorado no livro e que o Governo do Estado fixa em 103 anos em 2044 e o consequente aumento da idade de reforma, que na mesma data pretendem alterar dos 81 para os 84 anos!...
O livro é uma novela caricaturada que aborda temas universais e transversais a todas as épocas, como o amor, a paixão, o desamor...
Publicado em 2009, é uma das novidades da Biblioteca da nossa escola.

Jornalista e escritor português nascido em 1936, trabalhou na televisão e em jornais como A Bola, Diário de Lisboa e Diário de Notícias, em especial na área do desporto.
Outros livros do mesmo autor existentes na nossa Biblioteca:
Crónica dos Bons Malandros (1980) que deu origem a uma longa-metragem de Fernando Lopes
Histórias do Fim da Rua (1983)
Já Não Se Escrevem Cartas de Amor (2008).
Boas leituras!

Campeonato de Cálculo Mental


O Grupo de Matemática está a realizar um Campeonato de Cálculo Mental dirigido aos alunos do 3º Ciclo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Entrega do prémio ao vencedor do Concurso "Conto de Natal"

Durante mais uma sessão do (En)canto da Leitura, foi entregue o prémio ao aluno Eduardo Nunes, vencedor do Concurso "Conto de Natal". Muitos parabéns a todos os participantes!
Muitos parabéns ao Eduardo! Continua a escrever!

Transcrevemos a seguir o Conto de Natal premiado:

Um Natal Diferente


Esta história que vou contar é sobre uma menina e um Natal completamente diferente dos que ela já tinha vivido.
Sofia tinha doze anos, vivia numa pequena vila no Interior de Portugal e todos os seus Natais eram iguais de ano para ano, mas sempre repletos de magia. Tal como muitas famílias espalhadas pelo mundo, a sua também se reunia e trocava prendas; mas, ao contrário de muitas famílias espalhadas pelo mundo, a parte que Sofia preferia nos seus Natais era quando, à meia-noite, o seu avô se sentava num cadeirão perto da televisão da sala, conseguindo concentrar em si os mais de quarenta olhos existentes na sala, e começava a contar as mais belas histórias de Natal. Para Sofia, permanecia um mistério o facto de ele conseguir inventar tantas, belas e longas histórias de Natal, de ano para ano, sempre diferentes, mas todas com um objectivo de dar a conhecer o verdadeiro valor do Natal.
Era tudo muito belo, fascinante e tipicamente natalício, até que…
* * *
Naquele ano, o Natal ia ser diferente. A família iria reunir-se mais uma vez em sua casa, iria trocar as prendas, iria comer as fatias douradas, o bolo-rei, os frutos secos… Mas, à meia-noite, o avô não iria sentar-se no cadeirão perto da televisão, não iria concentrar em si os mais de quarenta olhos existentes na sala e nem contaria as mais belas e fascinantes histórias de Natal. O avô de Sofia havia falecido há pouco tempo, e a neta tinha a certeza que o Natal nunca mais iria ter a usual magia que até agora tinha tido, uma vez que não havia histórias para contar. Mas ela parecia ser a única preocupada com isso.
O dia vinte e quatro de Dezembro chegou rapidamente. Sofia acordou molengona e ensonada, sem vontade de apreciar aquele dia. Abriu as cortinas do quarto, e observou uma paisagem branca, repleta de neve: grandes lençóis brancos estendiam-se pelos montes, no horizonte, e a sua vila também não escapava à longa manta de neve. Apesar de viver no interior, Sofia nunca tinha visto nevar. Abriu as janelas, e um frio gelado invadiu-lhe o quarto. O parapeito exterior da janela estava coberto de neve. Emocionada, pegou nos pequenos e delicados flocos daquele material branco que se desfazia com facilidade nas mãos, e lavou a cara com eles, deixando-os derreter na face. Que maravilhosa sensação! Que linda era aquela paisagem!
Durante os momentos em que contemplara aquele magnífico espectáculo de neve, não pensara em como seria o Natal sem o avô e as suas histórias, e quando estes pensamentos voltaram a entrar na sua cabeça, toda aquela magia que a neve provocara pareceu subitamente desaparecer.
Vestiu-se e desceu as escadas para a sala de estar, saudando os pais e alguns membros da família que já tinham chegado, com um “Feliz Natal” sem emoção. Claro que estranharam a sua falta de alegria naquele Natal pois, nesta época festiva, ela costumava ser a pessoa mais bem-disposta da casa. Sofia ainda não tinha contado a ninguém como se sentia em relação àquele Natal, nem o tencionava fazer; sabia que ninguém a podia ajudar a fazer sentir-se melhor, portanto nem sequer ponderou isso.
À medida que as horas passavam, a casa ia ficando cada vez mais preenchida de convidados e alegria. As prendas que cada um trazia eram postas debaixo do pinheiro artificial de Natal que os pais de Sofia, com a sua ajuda , tinham montado no início do mês. Um grande monte de cores e de laços de prendas ia gradualmente aumentando, deixando cada vez menos espaço para as pessoas circularem.
Todos estavam à mesa para jantar às horas habituais; todos, menos o avô José. O jantar estava repleto de gargalhadas e de longas conversas alegres; apenas Sofia não contribuía para aquele ambiente.
Depois veio a habitual troca de prendas, mas não houve a típica história do menino Jesus e dos três Reis Magos, não veio a história da família Fonseca e o seu pobre mas feliz Natal, e nem o cadeirão, onde tantas vezes o avô José se sentara para contar as suas histórias, estava no mesmo sítio. Os olhos de Sofia encheram-se de lágrimas, e foi a correr para o quarto, deixando todos os membros da família surpreendidos com aquela atitude.
* * *
A menina deitou-se na cama, continuando a chorar, e enfiou-se dentro dos lençóis. Ela apenas queria que aquela festa acabasse, pois se o avô José não estava ali, aquilo, simplesmente, não era Natal!
Foi no meio destes pensamentos de desespero que, iluminando o seu quarto por inteiro, uma luz branca em forma de vulto apareceu, sentada num cadeirão semelhante ao do avô José. Sofia piscou repetidamente os olhos, querendo acreditar que aquilo não era verdade. Mas parecia que sim, pois aquela luz branca não se ia embora.
- Olá, Sofia. – saudou, tranquilamente. – Estás a ter um bom Natal, minha querida?
Sofia permaneceu imóvel, mas o seu receio desapareceu. Aquela voz tinha algo nela que a tranquilizava, soava-lhe familiar. Era, claramente, a voz do seu avô.
- Avô?! – perguntou, estupefacta.
- Sim, sou eu! – respondeu o avô José, soltando umas fortes gargalhadas. – Então, estás a ter um bom Natal?
- Bem… - suspirou Sofia. – Nem por isso, sabes? É que sem ti não é a mesma coisa…
- Ora, então porquê?
- Tu não estás cá e não vais poder contar uma das tuas belas histórias.
- Oh, minha querida…
A luz branca desapareceu subitamente, e agora via-se perfeitamente o corpo do avô José. Este aproximou-se da cama da neta, sentou-se ao fundo e disse:
- Como tu já deves ter reparado, as minhas histórias tinham sempre uma moral, que era a moral do Natal. Quero dizer, o Natal tem um fim, que é unir a família, e se eu não estou convosco, neste Natal, não quer dizer que não estejamos unidos. Porque nós nunca devemos esquecer os que partem, pois eles amar-nos-ão sempre. Eu, obviamente, também te amarei para sempre. Com as minhas histórias, não tinha como objectivo ser o centro da celebração natalícia, muito pelo contrário: queria que a família fosse o centro do Natal, pois esta deve unir-se cada vez mais, principalmente nesta época. Espero que percebas que eu não tenciono deixar-te triste com as minhas histórias; eu só quero que tu e todos os membros da nossa família ganhem mais o espírito de Natal, que fiquem mais ligados, mais unidos, mais afeiçoados. E sabes o que podias fazer para me deixares mais contente?
- Diz, avô! – exclamou a neta, contente por haver algo que podia fazer para alegrar o avô.
- Podias contar esta mesma história, agora, à meia-noite, pois também tem uma moral, igual a todas as outras histórias que eu já contei. Eu não poderei lá estar contigo em baixo, mas sabes que, quando olhares para o céu, seja de noite ou de dia, eu estarei lá, pois nunca deves esquecer aqueles que partem, nem pensares que eles já não gostam de ti. Percebes?
- Sim, avô, percebo. E se queres que o faça, eu faço.
- Fico muito contente por isso.
O avô José aproximou-se da neta, e deu-lhe um carinhoso beijo na testa. De seguida, desapareceu subitamente. Sofia chegou perto da janela do seu quarto, olhou para o céu e viu uma estrela mais reluzente que as outras, e teve a certeza que era o seu avô José.
Então, cumprindo a promessa feita, desceu as escadas com um ar muito satisfeito, sentou-se no cadeirão e anunciou:
- Agora vou contar uma história. Esta história é sobre uma menina e um Natal completamente diferente dos que ela já tinha vivido.
Assim, até ao final da sua vida, nos Natais que se seguiram, Sofia contou sempre a mesma história, vezes sem conta, mas nunca se fartou dela e da sua moral. Tinham, tal como as do avô José, um objectivo: transmitir o sentido do Natal e lembrar que os que partem amar-nos-ão sempre. Chegou a contar esta história aos filhos, aos netos, e até aos bisnetos!
Todos os Natais, à meia-noite, sentava-se num cadeirão, concentrava em si todos os olhares presentes na sala, e começava a contar:
- Esta história é sobre uma menina e um Natal completamente diferente dos que ela já tinha vivido.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sugestão de leitura


Nos últimos anos tem-se assistido ao fenómeno literário de "Millennium", a trilogia da autoria do sueco Stieg Larsson, que, tragicamente, viria a falecer de ataque cardíaco, aos 50 anos, pouco depois de ter entregue ao seu editor os três volumes da sua saga.
Nascido na Suécia, em 1954, Stieg Larsson começou por trabalhar em design gráfico, mas viria a orientar-se para o jornalismo e a escrita literária.
Não sendo assumidamente autobiográfico, não se podem ignorar as semelhanças de percurso e de perfil ético e moral entre o autor e o protagonista da trilogia literária.

Mikael Blombkvist é um jornalista de investigação que se vê condenado a três meses de cadeia efectiva por ter denunciado uma fuga de capitais para um paraíso fiscal por parte de um notório financeiro.
Só que, pouco antes da sua entrada para a prisão, Mikael, agora figura pública admirada pela sua coragem e elevação, é convidado por um poderoso industrial para deslindar o caso do assassínio da sua sobrinha, ainda hoje por resolver, quatro décadas depois de ter ocorrido…
A edição sucessiva dos três livros foi um êxito, tendo-se vendido em todo o Mundo mais de 12 milhões de cópias, o que levou os produtores da região nórdica a avançar com a produção da respectiva trilogia de filmes.
Antes de verem os filmes, já podem ler os três livros na biblioteca da nossa escola!
Boas leituras!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Parlamento dos Jovens 2010


Mais uma vez, a nossa Escola participa no Concurso "Parlamento dos Jovens". Este ano o tema para o Ensino Secundário é a "República". Tendo em vista as eleições à Sessão Escolar, realizou-se no dia 19 de Janeiro, na BE, o Debate de apresentação das listas candidatas e respectivos programas. Este foi moderado pelo professor desta casa, José Vieira Lourenço, e contou, para além dos candidatos, com a presença de muitos alunos e professores. O moderador começou por dar a palavra aos representantes das quatro listas que argumentaram e defenderam o respectivo projecto. Seguiu-se um período de perguntas e respostas que tornou o referido debate muito vivo e enriquecedor, o que prestigia o nome dos participantes e da nossa Escola.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O (En)canto da Leitura


Eles são 25 meninos, 50 meninos, 100, 200… - Professora, vamos ouvir uma história? Há alegria e curiosidade nos seus olhos, um mundo a despertar, muito para partilhar. A história é mágica, o momento enche-se de expectativa e de silêncio, qual gruta de Ali Babá que se abre subitamente: - Então, vamos ouvir uma história! E começa o encantamento.


Foi assim que começou o (En)canto da Leitura, uma actividade que tem vindo a decorrer, pela primeira vez, na BE, até agora nas aulas de Estudo Acompanhado e Matemática, e na qual são lidos pequenos contos ou excertos de livros, levando os alunos a descobrir o prazer de ler e de ouvir ler. E assim nasce o prazer da partilha…

Esta actividade está aberta a todas as disciplinas. E é muito agradável ouvi-los perguntar: - Professora, quando vamos ouvir outra história? Posso também trazer o livro que estou a ler?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Exposição "Racismo" - 10º D (Filosofia)


Encontra-se exposto na Biblioteca um trabalho realizado por alunos do 10º D do Curso Tecnológico de Desporto, no âmbito da disciplina de Filosofia, subordinado ao tema "Racismo".

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

CNL - Resultados da 1ª Fase



Realizada a 1ª Fase do Concurso Nacional de Leitura, os alunos apurados para a 2ª Fase distrital, são os seguintes:

  • 7º A - Mariana Jacinto Araújo
  • 8º B - Eduardo Nunes
  • 8º B - João Pedro Martins
Parabéns aos vencedores, extensíveis a todos os participantes que leram as obras seleccionadas!
O importante é ler... ler mais... ler sempre!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sugestão de leitura


O Sítio das Coisas Selvagens, de Dave Eggers
Max é um rapaz que está a crescer e a entrar num mundo que não consegue controlar. O pai foi-se embora, a mãe passa cada vez mais tempo com o namorado e a irmã está a chegar à adolescência. Ele, por seu turno, refugia-se no interior do seu fato de lobo e entrega-se aos acessos de bravura de que é frequentemente acometido. Um dia, fugindo de uma discussão em casa, encontra um barco e, navegando nele, descobre uma ilha habitada por criaturas selvagens e monstruosas, de que se tornará rei.

Dave Eggers, autor deste livro, é co-autor, com Spik Jonze, do guião do filme, com o mesmo nome, acabado de estrear em Portugal.

Este filme foi escrito/realizado a partir da obra de Maurice Sendak Where the Wild Things Are, agora editado pela Kalandraka - Onde vivem os monstros. O livro de Sendak é, como todas as suas obras, divertido, comovente e  misterioso e tem dado origem a acesas polémicas e debates acerca do que é ou não aceitável em literatura infantil.
Livros e filme a não perder, respectivamente na biblioteca da nossa escola e num cinema perto de si!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Ano Internacional da Diversidade Biológica



As Nações Unidas lançaram em Montreal uma campanha mundial de sensibilização para a salvaguarda da biodiversidade, dando início às comemorações do Ano Internacional da Diversidade Biológica 2010, declarado pela Assembleia-geral da ONU.

O tema da campanha - “A biodiversidade é a vida. A biodiversidade é a nossa vida” – sublinha o “papel crucial da natureza no apoio à vida na Terra, incluindo a nossa”.

O Ano Internacional da Diversidade Biológica será inaugurado com eventos no Brasil e na Alemanha. Em Janeiro, a Unesco lançará uma exposição internacional, em Paris.

A Assembleia-geral da ONU de 20 de Setembro de 2010 será um evento crucial que preparará a Cimeira da Biodiversidade de Nagoya, em Outubro de 2010, onde os governos definirão os objectivos e etapas para contrariar a perda da biodiversidade.

O ano terminará em Kanazawa, no Japão, em Dezembro de 2010, com uma cerimónia que marca o início do Ano Internacional das Florestas - 2011.

Leitor TOP MAIS


O número de requisições domiciliárias durante o 1º Período foi elevado, o que nos trouxe grande satisfação! No entanto, o aluno que mais livros requisitou foi o Jússero Mota, nº 14, do 8º C, que irá receber um livro como prémio. Parabéns Jússero!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Exposição de trabalhos de Inglês






Encontram-se expostos no átrio do Bloco B os cartazes resultantes do Trabalho de Projecto das turmas A, B, C e F do 11º Ano, no âmbito da área temática trabalhada durante o 1º Período na disciplina de Inglês - "Our World".

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Bom Ano de 2010!


Receita de ano novo


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade