Semana da Leitura - Dia Mundial da Poesia - Premiados no concurso "Há poesia na escola" 2024/2025
No Dia Mundial da Poesia, damos a conhecer os resultados da 2ª fase (entre escolas) do Concurso "Há poesia na escola". Na nossa escola estão de parabéns os alunos:
- Inês Marado Palavra - 6.º ano, pelo 3.º lugar ex aequo no 2.º ESCALÃO | ESCOLAS DO 2.º CICLO DO ENSINO BÁSICO
- Pedro Fonseca - 9.º ano pelo, 2º lugar no 3.º ESCALÃO | ESCOLAS DO 3.º CICLO DO ENSINO BÁSICO
- Júlia Ortiz - 11º ano, pelo, 3º lugar no 4.º ESCALÃO | ESCOLAS SECUNDÁRIAS
Obrigada às professoras Isabel Costa e Marta Roque!
Aqui estão os poemas vencedores:
Camões sempre viverá
Luís Vaz de Camões, poeta imortal
No seu nome, todo Portugal!
N’ “Os Lusíadas”, glória sem igual,
Mares desbravados, num feito colossal!
O tempo não apaga os versos
De dor, amor e pena imersos.
Herói das Letras e do Luso sonhar,
Fez das Palavras seu magnífico lugar.
Na miséria viveu e assim morreu,
O Poeta-Maior que entre nós nasceu,
Num mundo de treva e breu.
Mas contra a escuridão brilhará
E o Génio não se apagará!
Camões sempre viverá!
Inês Marado Palavra
6.º ano
A DIVINA EPOPEIA
“Cantando espalharei por toda a parte”,
Os feitos deste de nome Camões,
“Se a tanto me ajudar o engenho e arte”,
Que tocou em lusitanos corações.
E empunhou o mais poderoso estandarte,
Que é superior a todas as nações,
Enquanto escrevia os honrosos versos,
De emoção, sofrimento e orgulho imersos.
Só as queridas Tágides ouviram
Do seu rio Tejo, os seus desesperos,
Que no final, de nada o impediram
De viver a vida de desalentos.
A luz da glória nunca elas fitaram,
Tal como o seu jovem rei de talentos,
Desaparecido, tal como as rimas
De Coimbra, Inês e da Quinta das Lágrimas.
Eternos quinhentos anos depois,
ó meu celebrado canto molhado,
Maior que qualquer odisseia sois.
Calem-se, Grego e Troiano antiquados,
Com as fantásticas navegações,
Também a nós ajudou o deus irado.
“Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta”.
Mas será que este Camões viveria
Nesta contemporânea sociedade?
Digna de longos textos, que leria,
Discípulo da genialidade.
Da agilidade de que precisaria,
Para cantar sobre a disparidade
Da habitação, saúde, e educação,
Da liberdade, da paz e do pão.
(Obrigado mestre Sérgio Godinho)
Mas estas regras também aprisionam
Porque tudo aqui é decassilábico?
ab, ab, ab, cc
estes versos que todos iguais soam!
Oitavas e aqueles versos heróicos
Que apenas ao Poeta abençoam.
Já mais do que antigos e trabalhosos.
A partir deste momento estou livre.
Livre!
No século vinte e um,
Onde reina a incerteza,
E a queda da cultura Portuguesa,
Não há nenhum
Que não conheça o seu nome,
E o que ele representa.
Ele não precisa de estar vivo
Para nos abraçar com o seu objetivo,
Até ao Oriente, sempre introspetivo.
Quebrando barreiras,
Calando a voz que grita:
«Que a Idade Média prevaleça!»
Fora as regras rotineiras
Daquilo que é a arte e a escrita,
Fora o condicionamento da mente ao passado,
Que já cheira a mofo e já irrita,
Fora os influencers,
Que pensam que são Camões,
Caminho metropolitano para o Colombo,
E cremes que valem milhões.
Avante a cultura que devemos respirar,
A cultura Portuguesa,
Não podemos rebaixar!
“Eu não era perfeito,
Sofri na pele dor abismal
Sem qualquer respeito.
Senti o bem e o mal,
A tentação, a impaciência,
A água salgada da sua transparência,
O vento do Tejo matinal,
Mas também os olhos da morte,
No leito do Atlântico norte.
Fitei-os por todos os meus irmãos,
“Mães, Esposas,” e pelo meu capitão.
Refleti sobre a minha vida e os meus feitos,
E chorei, só ouvi defeitos.
O valor só colhi enterrado,
Cego por amor, mesmo que castigado.
Que ouçam todos os Portugueses,
Estou no Paraíso!
Completei a minha missão para os Deuses,
Aprontei-me para partir e encarar Dionísio.
Que me leiam todos os Portugueses,
E me celebrem com respeito.
Nobres, camponeses e burgueses,
Daqui estarei a observar
Se vivem o sonho que foi difícil de conquistar
Pelas armadas de lusitano peito.
E embora não colhesse os frutos,
A intenção foi castigar os corruptos.
Estou no Paraíso de Dante,
Onde ninguém odeia,
Mas daqui, irei sempre lembrar a minha
DIVINA EPOPEIA”.
Pedro Fonseca
9.º ano
Uma Quimera
Camões, quinhentos anos depois,
caminha em estradas de alcatrão
E trabalha no terceiro andar do prédio na avenida.
Olha o vasto mundo pelo vidro da janela:
O que se lhe revela é só a realização dos seus sentidos;
Que nunca será nada, nem ninguém.
E o mundo vasto gira em torno de tudo,
E as estrelas morrem,
E o céu desvanece,
E filhos nascem,
E os homens crescem,
E o tudo gira em torno de nada,
Se nada for exato e definitivo e certo.
Se nada for certo,
certo que nada sendo nada,
é algo se o concebermos,
irá porém tornar incerto se deverá Camões
caminhar em estradas de alcatrão ou caminhos de terra,
Quinhentos anos antes.
Enquanto lá fora anoitece,
E tudo, de facto, se concebe, ainda que não estivesse lá quem visse o anoitecer,
Camões olha o universo
(interrompido por um piscar d’olho intermitente)
deitado na relva fresca dos campos do vilarejo onde mora com a sua mãe,
(“Quero descanso”)
(“Quero família”)
(“Quero dinheiro”)
(“Quero sucesso”)
(“Quero amor”)
(“Quero dinheiro”)
(“Quero dinheiro”)
(“Quero dinheiro”)
dentro de sonhos,
Querendo como lhe é permitido a querer,
E não a ter.
Vendida a alma no negócio,
Perdida a paixão pela obra,
É escravo da sua ocupação, no emprego, das 9 às 5.
Pois lhe tiram tempo de sobra,
Pois lhe amam a mansidão,
Pois lhe é dito que a arte
é fruto do ócio.
Os grandes viu sempre passar
em mundos fora do seu entendimento.
Por espanto, não se leva a acreditar
que por quanto mais os possa contentar,
sobra-se-lhe uma vida de tormentos.
As noites ocupou com sonetos,
E quimeras dos dias longínquos de amanhã.
Ledas e inocentes ambições,
Não o tornam num galã.
Muito menos lenda,
Ou mito, ou conto de dormir.
Camões, quinhentos anos depois,
caminha em estradas de alcatrão
E assiste à televisão numa tarde de domingo.
Olha o luminoso ecrã, entrando em perdida ponderação:
Nunca será nada, nem ninguém,
num mundo onde já existe toda a gente.
Júlia Ortiz
11.º ano
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