Desafio de Escrita Criativa | Texto narrativo | Vencedores


Divulgamos os textos narrativos vencedores do Desafio de Escrita Criativa, subordinado ao tema "Eu no mundo atual".  
Um Viva e um Louvor para todos os alunos participantes!
Parabéns aos alunos vencedores!
Continuem a participar nos nossos desafios!

2.º ciclo:

O meu mundo atual é muito diferente do que era, antes da pandemia. O Covid mudou tudo. Antes, o meu maior problema era se eu entrasse no Conservatório, mas agora, é as pessoas vulneráveis morrerem.

As outras pessoas não quiseram entender a realidade deste bichinho da doença e da morte, então decidiram proteger a eles e aos seus filhos entrando noutro mundo – o mundo virtual. Mas eu não queria entrar nesse mundo. Sei que começar a escola secundária com máscaras e com só 10 minutos de intervalo de cada vez depois de aulas com 90 minutos é muito difícil. Não há quase nenhuma comunicação entre os colegas a não ser por telemóveis. Mas não queria seguir toda gente a entrar nesse mundo virtual.

Pois eu queria entrar num mundo totalmente diferente. Um mundo de livros, especialmente dos livros do Harry Potter. Foi isso que se tornou no meu mundo real. Hogwarts tem sido mais real para mim do que está a passar neste momento.

Estes últimos meses de férias têm sido para mim muito tristes e por outro lado muito mais interessantes. Eram tristes porque era suposto ir a Inglaterra para visitar os meus familiares e amigos em Londres, mas os voos foram cancelados. E eram interessantes porque tive muito mais tempo no meu novo mundo.

Por exemplo, visitei o mundo de Jane Austen através de “Orgulho e Preconceito”, o mundo de Middle Earth de J.R.R. Tolkein no livro “O Senhor dos Anéis” e, claro, o mundo de “Harry Potter” de J.K. Rowling.

Ler Harry Potter tem sido uma grande ajuda para mim. Entrar na magia de livros para esquecer o que está a acontecer á minha volta é um remédio brilhante! Já me aconteceram bastantes coisas na minha escola nova parecidas a Hogwarts (não contando as máscaras e os telemóveis). Uma delas, por exemplo, é perder me várias vezes nos corredores longos do Conservatório.

Mas, infelizmente, no mundo atual não existem coisas como feiticeiros nem pessoas tipo Harry Potter, Hermione Granger e Ronald Weasley. Adoro ler sobre eles nas lutas contra o Voldermort. Quem me dera estar com o Harry a ver as memórias do Severus Snape! Ou com a Hermione Granger a ver a cena de Wingardium Leviosa.

Mas o meu mundo real, na realidade, não é um mundo atual, mas um imaginário. Porque o Covid mudou tudo…

Elizabeth Ann Clarke, 5.ºB


3.º ciclo:

Dia não sei quantos

Dia não sei quantos (porque já lhes perdi a conta), e ainda nada mudou. Abro os meus olhos, ainda dormentes da minha noite mal dormida, e, como é habitual, sinto o conforto dos lençóis quentinhos que a minha avó ofereceu pelo Natal. Dou por mim a pensar o quão esse dia em família costumava ser fascinante e único…Fechei mais uma vez os olhos mas desta vez foi necessário esforço para conseguir abri-los e trazer a minha consciência de novo ao momento, mas como a minha avó costumava dizer “não há nada mais eficaz para acordar do que o cheirinho a pão quente”. Realmente é isso que me motiva a levantar. O simples pensamento daquele cheiro puro e daquele paladar gostoso fez-me descer as escadas até á cozinha. Mas era só um pensamento. Não me lembrei que a padeira já não vendia o pão à porta, também não me lembrei que a minha avó já não estava comigo em casa, e por isso, não havia pão acabadinho de sair do forno. Supostamente já devia estar habituada a este ciclo de vida...

A única mudança existente é somente o tempo, está de chuva. Estou sentada no sofá e já tudo me faz confusão. Estou farta de ver a televisão passar reclames, estou farta desta mesa com aquelas horríveis velas brancas, até já estou farta de estar no meu sofá confortável. Parece que já faço parte dos móveis da casa!

Preciso de sair, preciso daquela brisa fresca que me arrepia, daquele cheiro da estação húmida, de sentir as minhas mãos ásperas do frio, mas mais que tudo, preciso de ver gente. Já nem os meus pais eu vejo por completo dá para acreditar? Agora andam com aquela máscara que lhes tapa as suas faces, já exaustas do trabalho, e só consigo ver-lhes os seus bonitos olhos, mas a cor deles já eu sei qual é...Sinto saudades do abraço caloroso da minha mãe, das cócegas do meu pai, daquele beijinho húmido, mas amoroso da minha avó, (por mais estranho que pareça) até tenho saudades de ver o senhor Armando no café pela manhã a ler o seu jornal preferido (“Record”) e a beber aquele galão bem quente. Acho-lhe piada porque ele tem um bigode muito engraçado, faz-me lembrar o “Poirot”, sempre muito bem aprontado e nem um único pelo branco.

Nunca pensei realmente nisto, mas sinto saudades de quando tudo era normal.

Maria Francisca Cortesão Machado, 9.ºC


Secundário:

Essa loucura que chamamos VIDA 

        O sinal tocou, as horas passaram depressa! Corro sozinha pra procurar minha sala, não conheço ninguém. Sou nova na turma, na escola, na cidade, no país, no continente! O que eu faço agora? Será que vão me aceitar? Será que terei amigos? Será que se importam comigo? Calma, calma... Se eu não respirar, quem fará isso por mim? Meu nome é Amanda, tenho 13 anos... Início da adolescência... Estou tentando sobreviver a isso. Eu sou do sul do Brasil, estado do Rio Grande do Sul, pouco conhecido por estrangeiros. Vou contar-lhe a maior aventura da minha vida, acho que vais gostar. 

        Bem, tudo começou com uma grande proposta de estudos para minha mãe e, claro, ela aceitou. Isso envolveria mudar de país. Mudar para a Europa, diretamente para Coimbra, Portugal. Como doidos, aceitamos a ideia de virmos a família toda para cá, com pouco tempo de decisão meus pais investiram nessa incrível viagem e pronto, cá estamos. Pode parecer fácil, mas acredite, não foi nada simples. Tanta burocracia, documentos, autorizações, entrevistas, mais documentos, papéis que até agora não sei o que são, e, finalmente, a residência aprovada. 

        A ansiedade não nos deixava esperar que acontecesse, mas enfim o “chegar” aconteceu. Foram meses para acostumar com a língua, cultura, gírias, horários e rotinas. Enfim, tudo finalmente foi posto no lugar. Até que... O inesperado ocorreu: A pandemia! E agora? Como estou EU no mundo atual? 

        Diante desta situação de distanciamento social tive que me esforçar para manter minha saúde física e mental. É complicado para uma adolescente passar meses sem ver os amigos, sem sair e sem divertir-se fora de casa. Busquei ler mais e conhecer novos amigos virtualmente. Aprimorei meu canto e minhas habilidades musicais, mantive uma rotina que me levava dos trabalhos da escola até o lazer de dançar loucamente! Sem esquecer as longas conversas e risadas com minha família. Aprendizagens para a vida! 

        Enquanto durar a pandemia, sei que vou aprender muitas coisas que, em situações normais, provavelmente passariam despercebidas. Toda esta situação serviu para eu compreender que o mundo atual é HOJE! O sinal irá tocar muitas e muitas vezes. Sei que a adolescência vai passar, a pandemia também. Aprendi que não devemos deixar a vida passar em branco por más situações nos nossos dias. Devemos sempre sonhar, conhecer pessoas novas, dançar e viver intensamente essa loucura que chamamos VIDA, em busca do bem-estar. 

Manuela Henn Colpo, 10ºB

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